Deputados elogiam sessões virtuais, mas sentem falta do contato pessoal

Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
Ordem do dia para votação de propostas legislativas.
Sessão virtual da Câmara dos Deputados, conduzida pelo presidente Rodrigo Maia

A nova rotina de sessões virtuais, imposta pela pandemia do coronavírus, tem dividido os deputados. Enquanto alguns se sentem confortáveis com as votações e sugerem até mesmo que sessões digitais continuem depois do fim da epidemia, outros lamentam a falta de contato pessoal com os colegas e com a participação da sociedade.

O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) nota uma dinâmica de trabalho com menos conflito e mais centralizada nos líderes. “As bancadas conversam com os líderes, e os líderes conversam entre si. A negociação da pauta é diferente porque gira em torno de temas mais consensuais. Não tem tantos atritos ou diferenças como tinha antes. Ao mesmo tempo, tem menos conversas com os colegas”, avalia.

Entusiasta das votações digitais, Kim Kataguiri propõe adotar o sistema fora de tempos de pandemia para matérias menos polêmicas. “Eu acho que é um avanço. A gente teria um número maior de projetos aprovados e deliberações”, comenta.

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Kim acha que o sistema virtual pode ser usado no futuro para projetos menos polêmcios

Kim Kataguiri nota que, por causa da quarentena, a população está mais participativa e atuante nas redes sociais, apresentando mais sugestões para os deputados. “Recebo muitas ligações e está muito mais movimentado o grupo de Whatsapp do gabinete.”

Sem suporte
O deputado Mauro Lopes (MDB-MG), de 83 anos, diz que não precisou de suporte técnico para instalar em seu celular o aplicativo Infoleg, desenvolvido pela Câmara para marcar presença e votar nas sessões virtuais. “Eu estou totalmente isolado, dada minha idade, mas estou atento aos trabalhos. Não estou perdendo nenhuma votação. Estou tranquilo”, elogia.

Apesar de considerar a presença dos deputados em Brasília muito importante, por causa do contato com os ministérios e os colegas, Mauro Lopes apoia a ideia de continuar com as sessões virtuais quando a situação se regularizar. “Pode ter uma sessão virtual na segunda e na quinta-feira”, sugere.

Falta do painel
O deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) aprova as sessões virtuais pela possibilidade de acompanhar e votar projetos. “Eu estou preso em Brasília há três semanas, trancado. A Câmara fez bem em ter essas sessões virtuais.”

No entanto, o parlamentar afirma que, depois de passada a pandemia, prefere a volta das sessões presenciais, para poder “olhar na cara” dos colegas. Ele também sente falta de ver seu voto registrado no painel eletrônico do Plenário Ulysses Guimarães. “Na sessão virtual, a gente vota e não vê o voto no painel”, lamenta.

Outra sensação
A deputada Luiza Erundina (Psol-SP) considera fantástico dispor do meio de votação virtual em um momento grave da vida do País, para o Parlamento continuar ativo e ajudando a sociedade. “A Câmara tem produzido iniciativas bastante importantes, necessárias e urgentes”, comemora.

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Erundina: debate na sessão virtual fica um pouco prejudicado

No entanto, para Erundina as sessões virtuais se justificam apenas pelo caráter emergencial da pandemia, e não deveriam continuar em uma situação regular. “A característica do Parlamento é que as pessoas conversem e dialoguem. O debate na sessão virtual fica um pouco prejudicado. Uma coisa é você se dirigir pessoalmente ao Plenário, ao vivo, enquanto que na via virtual tem outra sensação”, compara.

Para a deputada, o prejuízo seria maior nos debates das comissões permanentes, que dependem da participação da sociedade: “As comissões supõem convivência com os parlamentares, para estabelecer articulação em torno de determinadas matérias. Não é conveniente participar a distancia das comissões.”

Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
Ordem do dia para votação de propostas legislativas.
As sessões virtuais têm registrado alto índice de comparecimento

A falta de contato pessoal com os eleitores é outro ponto lamentado pela parlamentar: “Uma das coisas que mais me custam nesta quarentena é exatamente esta impossibilidade de estar junto da população, sobretudo a população da periferia, que está vivendo momentos muito críticos.”

Capa de chuva na UTI
Ainda assim, ela afirma ter mantido contato por telefone e Whatsapp com eleitores, especialmente servidores públicos da área de saúde em São Paulo, que lhe apresentaram reclamações e denúncias sobre a precariedade de equipamentos de trabalho. “Eles recebem capa de chuva para entrar na UTI. Os servidores estão sofrendo muito e estão com muito medo. Alguns foram vítimas de contaminação.” A deputada apresentou as denúncias e os pedidos dos servidores da saúde em telefonema para o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Fonte: CÂMARA DOS DEPUTADOS

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