Bolsonaro e Guedes avançam contra o Funcionalismo

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes têm muito em comum? Depende da ótica que se vê.

Se Guedes era um inexpressivo economista, que atuava no submundo do mercado financeiro, por meio de sua Consultoria, Bolsonaro, por sua vez, era o legítimo representante do chamado “Baixo Clero” do Legislativo Federal.

Guedes é entusiasta do modelo liberal chileno — o mesmo que está prestes a ruir, legado do regime ditatorial de Pinochet. Bolsonaro é entusiasta do regime militar — o mesmo que o queria demitido a bem do serviço público, nos idos dos anos 80.

Guedes jamais foi convidado a ser ministro; ninguém o leva a sério no meio dos analistas e operadores do mercado financeiro. Bolsonaro jamais alçou voos maiores do que a Câmara dos Deputados, até enxergar no ocaso do lulopetismo, a ocasião perfeita para se lançar como franco atirador.

Guedes quer livre mercado, mas enriqueceu com bolsa de estudos estatal e gerindo fundos públicos de pensões. Bolsonaro, reformou-se (o equivalente a aposentadoria por invalidez, no regime dos servidores militares) aos 33 anos, e desde então, pendurou-se no cargo de deputado federal (e todas as regalias a que tinha direito).

Em que momento da história esses dois personagens, com trajetórias tão distintas e desconexas, vieram a se encontrar; e que encontro foi esse, que resultou nesse casamento entre um militar ex-adepto do nacional desenvolvimentismo com um liberal pinochetista? Só os que testemunharam isso poderão revelar, algum dia, em livros ou depoimentos para historiadores.

Mas o fato é que ambos avançam contra o funcionalismo público com uma ferocidade nunca vistas (nem mesmo, no tempo do militarismo governamental). Ao atacar a estabilidade do servidor, transformando uma garantia à moralidade administrativa numa “regalia de preguiçosos”, Bolsonaro se presta ao papel de marionete de Guedes.

Liberais não querem um Estado Forte, pois odeiam amarras de leis e fiscalizações.

Querem ficar “livres” para pagarem o quanto quiserem a seus empregados, para poluírem o quanto quiserem para atingir seus lucros. Odeiam essa história de “regulamentação”, que os obrigam a investir somas de dinheiro em um ambiente laboral salutar; acham um absurdo terem que pagar seguridade social, a despeito de adoecerem seus trabalhadores; e por fim, acreditam piamente que se não gostam de descansar e gozar do convívio com familiares, seus empregados também não devem!

Bolsonaro não quer abandonar a polarização “nós vs eles” (nós, brasileiros de bem; eles, comunistas); e por isso, adotou como premissa a “caça às bruxas” dentro do funcionalismo público federal. Em seu pensamento obtuso, Bolsonaro acredita que para “despetizar o Governo”, é preciso demitir comunistas, onde quer que estejam…

Já Guedes, só quer mesmo eliminar os focos de resistência a seus ideais anárquico-liberais; afinal, servidor estável pode resistir a coação de cupinchas nomeados para cargos de chefia, direção e assessoramento. O que tem de liberal que se ressente de não ser aprovado em concurso público, não dá para se computar!

E é assim, nessa mistura de loucura com malícia, de ódio visceral com interesses comerciais, que Guedes e Bolsonaro vão se amando, se beijando, se abraçando e parindo maldades sem fim… e como se já soubessem que não têm a menor chance de reeleição em 2022, resolveram antecipar todo o pacote de maldades já, agora, em 2019 mesmo!

Bolsonaro teme um impeachment antes do 2º ano de governo; e como se sabe, caso isso aconteça, novas eleições deverão ser convocadas em 60 dias, impedindo Mourão de assumir o poder, tal qual Temer o fez.

Os dados estão rolando… mas as cabeças nas guilhotinas, são nossas!

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